27/05/2021
Por Danilo Evaristo em
NotasPesquisa identifica bebês nascidos com anticorpos para covid-19

Foto: Nupad / UFMG
Resultados preliminares de pesquisa inédita da Faculdade de Medicina da UFMG mostram que a maioria das mães que foram infectadas pelo Sars-CoV-2 durante a gestação podem passar anticorpos para seus bebês por meio da transferência placentária. O estudo utiliza o teste do pezinho e a testagem das mães para identificar a infecção e vai acompanhar repercussões no desenvolvimento dos recém-nascidos soropositivos.
Até agora foram testadas mais de 500 mães e bebês. Foram identificados mais de 70 casos de transferência de anticorpos IgG da mãe para o filho nos cinco municípios participantes da pesquisa. O objetivo é chegar a quatro mil mulheres testadas. Os casos positivos serão acompanhados por dois anos, período em que se observará se a infecção durante a gestação teve consequências para o desenvolvimento das crianças. Um grupo de controle, de mães e bebês com resultados negativos, também será acompanhado. Outro objetivo é avaliar a duração da imunidade adquirida pelo feto durante a gestação.
A iniciativa é do Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad), da UFMG, em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Secretaria de Saúde de Minas Gerais, que fez a demanda para apoio ao planejamento em saúde pública. Participam da investigação as cidades mineiras de Uberlândia, Contagem, Itabirito, Ipatinga e Nova Lima. Os critérios para a escolha dos municípios foram taxa de prevalência de covid-19, número de nascimentos por mês e existência de rede capacitada para o caso de ser necessário suporte à reabilitação das crianças com alterações nos testes de neurodesenvolvimento.
Além de auxiliar na definição dos cuidados apropriados aos recém-nascidos, os resultados do estudo podem conter respostas sobre uma futura vacinação de bebês. “A confirmação da passagem de anticorpos da mãe para o bebê durante a gravidez pode ajudar a planejar o momento ideal para vacinação dos bebês contra a covid-19. Já se sabe, por exemplo, que os anticorpos maternos reduzem a eficácia da vacina contra o sarampo, e por isso ela é feita mais tardiamente”, explica a professora Cláudia Lindgren, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da UFMG.
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