21/05/2021
Por Danilo Evaristo em
NotasEstudo registra camarão-pitu verdadeiro pela primeira vez no RN

Estudo registrou camarão-pitu verdadeiro pela primeira vez no RN – Foto: Alex Barbosa
Marcos Neves Jr. de Agecom
Pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Evolução de Crustáceos (LABEEC/UFRN) realizaram um estudo sobre os camarões Macrobrachium, gênero de água doce cujas espécies são todas chamadas popularmente de pitú por conta de seu tamanho e de suas pinças avantajadas. O trabalho constituiu o maior esforço já feito para acessar a diversidade desses animais no Nordeste, em especial nos rios que pertencem à Caatinga.
Como resultado, a pesquisa gerou um artigo publicado recentemente no periódico científico Zootaxa. Em seu conteúdo, o estudo apresenta registros importantes de camarões presentes nas ecorregiões hidrográficas da Caatinga Nordeste e Drenagens Costeiras (compreendendo todas as bacias continentais e costeiras da região acima do São Francisco e à direita do Parnaíba) e do São Francisco, nas porções média e baixa do rio.
Ao todo, os resultados revelaram a ocorrência de cinco espécies ao longo da área estudada: Macrobrachium acanthurus, M. amazonicum, M. carcinus, M. jelskii e M. olfersii. Dentre essas, algumas foram registradas pela primeira vez em diversas bacias em ambas as ecorregiões contempladas na pesquisa.
Para exemplificar, o biólogo Alex Barbosa de Moraes, primeiro autor do artigo, aponta como um dos pontos altos deste trabalho a confirmação da ocorrência no Rio Grande do Norte de uma espécie bastante popular na região Nordeste. Trata-se do camarão-pitu verdadeiro (M. carcinus), maior camarão de água doce nativo do Brasil, encontrado na lagoa do Jiqui, em Parnamirim, e em um riachinho sem nome, dentro de uma área bem conservada e livre de poluição, no município de Macaíba.
“Apesar de essa espécie ser conhecida e explorada há anos no nosso estado, a literatura científica, até o momento, não mencionava a ocorrência dela aqui, portanto esse registro é extremamente importante para completar a nossa lista de fauna potiguar”, afirma o pesquisador.
De acordo com o autor, a maioria dos dados foi obtida em campanhas realizadas no âmbito do projeto Efetividade das Unidades de Conservação para a ictiofauna e carcinofauna das bacias hidrográficas do Nordeste Médio Oriental e avaliação de possíveis efeitos deletérios da transposição do rio São Francisco para a biota aquática. A proposta é fruto da colaboração entre os laboratórios de Ictiologia e de Carcinologia do Centro de Biociências, contando com a colaboração de outras instituições.
Nessas campanhas de coleta, os pesquisadores visitaram 129 localidades nas ecorregiões hidrográficas analisadas, onde foi realizado o levantamento da carcinofauna dessas regiões. Estiveram no roteiro mais de 13 bacias, distribuídas entre Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Com a utilização de todos os apetrechos de pesca disponíveis, como redes de arrasto, armadilhas peneiras e tarrafas, os pesquisadores enfrentaram longas jornadas no campo de trabalho. Mas assim conseguiram coletar o maior número possível de espécies nos micro-habitats disponíveis.
“Fora as coletas in situ, fizemos um extenso levantamento bibliográfico e em coleções científicas sobre todas as ocorrências do gênero nas duas ecorregiões de estudo como forma de trazer neste trabalho um retrato detalhado de tudo o que já se tem sobre essas espécies”, relata Alex.
Avaliando os resultados do trabalho, o pesquisador destaca a produção de conhecimento e sua contribuição para os estudos dos crustáceos. Atualmente no doutorado em Ecologia, Alex revela suas pretensões na carreira acadêmica e o desejo de permanecer buscando espécies a serem registradas.
“Além de preencher a lacuna de conhecimento sobre camarões de água doce da Caatinga, esses resultados se complementam a um objetivo pessoal meu de inventariar ao máximo a carcinofauna potiguar. Embora já sejam conhecidas muitas espécies de crustáceos que ocorrem aqui, ainda há muito o que se descobrir”, revela o pesquisador, autor de outros dois trabalhos que indicaram novas ocorrências para mais duas espécies de camarões no estado.
Também assinam a autoria do artigo os pesquisadores Daniele Cosme Soares de Moraes, Carlos Eduardo Rocha Duarte Alencar, Sergio Maia Queiroz Lima e Fúlvio Aurélio de Morais Freire, do Departamento de Botânica e Zoologia da UFRN, e Allysson Pontes Pinheiro, da Universidade Regional do Cariri.
Acompanhe outros trabalhos relacionados a crustáceos no perfil @aquelacrustaceos, no Instagram. Na página, as atualizações são voltadas à divulgação científica e ao conhecimento gerado por projetos acadêmicos na área.
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