11/12/2016
Por Danilo Evaristo em Notas

“Medicina não explica como seis sobreviveram”, diz médico que viu os 71 corpos

Um dos sobreviventes do acidente da Chapecoense, Alan Ruschel já está caminhando

Jovem Pan – O terrível acidente aéreo que interrompeu o sonho da Chapecoense na Copa Sul-Americana teve magnitudes assustadoras: vitimou 71 pessoas nas proximidades do aeroporto de Medellín e foi considerado o maior desastre da história do esporte brasileiro. Mesmo assim, deixou seis sobreviventes. Os jogadores Jackson Folmann, Alan Ruschel e Neto, o jornalista Rafael Henzel e os tripulantes Erwin Tumiri e Ximena Suárez foram resgatados com vida em meio aos destroços da aeronave.

Como isto foi possível? Nem mesmo a medicina consegue explicar.

Presidente da Comissão de Controle de Doping da CBF, o médico Fernando Solera, que foi à Colômbia acompanhar a recuperação dos sobreviventes do acidente da Lamia, concedeu entrevista exclusiva a Flavio Prado, para a Rádio Jovem Pan, e disse que não há como justificar, objetivamente, o fato de seis pessoas terem sobrevivido a um acidente aéreo que matou outras 71 – ainda mais depois da revelação de que os protocolos de segurança não foram seguidos à risca pelos passageiros, que não sabiam que o avião iria cair.

“A medicina, definitivamente, não explica. Biologicamente, não tem como sobreviver”, cravou Solera. “Eu até conversei com um amigo há alguns dias e falei assim: ‘meu, eles não caíram de um prédio, e sim de um avião’. E olha que cair de um prédio já seria gravíssimo, hein? Imagina cair de um avião… As pessoas que sobreviveram foram escolhidas, sem dúvida nenhuma”, acrescentou.

O médico, que chegou à Colômbia horas depois do acidente, ajudou no tratamento aos sobreviventes e teve uma ingrata missão: acompanhar o reconhecimento dos 71 corpos no Instituto Médico Legal de Medellín. Solera revelou que todos os mortos, sem exceção, tiveram graves traumatismos cranianos e múltiplas fraturas pelo corpo.

“Eu, infelizmente, verifiquei e ajudei a colocar os 71 corpos nas urnas. E eu garanto que todos eles, sem exceção, tinham traumatismos cranianos graves e múltiplas fraturas pelo corpo. Era impossível que eles pudessem sobreviver”, lamentou. “Neste tipo de acidente, ou a pessoa tem um traumatismo craniano, ou um traumatismo torácico, ou os dois”, explicou.

Todos os sobreviventes sofreram “apenas” traumatismos torácicos. O tripulante Erwin Tumiri, por sinal, já recebeu até alta – algo que também deve acontecer com Ximena Suárez neste fim de semana. Alan Ruschel já caminha e deve ser transferido ao Brasil em breve; Jackson Folmann teve parte da perna direita amputada, sofreu uma fratura na segunda vértebra cervical, mas está em evolução; Rafael Henzel deixou a UTI, já conversa, mas sente dores para respirar; e Neto, que foi o último resgatado, permanece sedado, mas não depende mais de respiração mecânica.


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