21/01/2016
Por Danilo Evaristo em
NotasPor falta de remédios, brasilienses amargam em filas por quimioterapia
Correio Braziliense – A mais recente tomografia da professora Marilene Menezes, 48, identificou a existência de dois novos nódulos no pulmão. Na luta contra o câncer há quase um ano, ela vive na unidade da federação que não tem um hospital de referência para tratar a doença. Há dois meses, a moradora do Riacho Fundo 2 não consegue submeter-se a sessões de quimioterapia. No Hospital de Base do DF (HBDF), onde se trata, poucas são as informações. “Dizem apenas que não existe previsão e que o remédio está em falta”, conta a mulher.
Anualmente, 5 mil pacientes realizam quimioterapia na rede pública da capital federal, segundo a Secretaria de Saúde. Entretanto, a pasta não informa qual é a demanda reprimida, ou seja, as pessoas que estão sem assistência médica na fila de espera, e não há previsão para a normalização dos serviços, à revelia do que recomenda a literatura médica, que é clara ao pedir agilidade no tratamento. Três hospitais oferecem o serviço na cidade: HBDF, Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB), que é uma unidade conveniada.
Marilene não é a única que está sem atendimento, apesar de o Executivo local não ter ferramentas para contabilizar quantas pessoas tiveram o tratamento suspenso. Uma enfermeira da oncologia do Hospital de Base conta que o dilema se arrasta desde novembro. Segundo a servidora, em meados de dezembro, algumas sessões chegaram a ser realizadas com os restos do estoque. “A Secretaria (de Saúde) recebeu a primeira notificação ainda em novembro. No último mês, tivemos que escolher quem faria o tratamento”, afirma a enfermeira, que pediu para ter a identidade preservada.
Sem saída
Maria das Graças Machado, coordenadora do Instituto de Apoio ao Portador de Câncer (IAPC), instituição filantrópica que acompanha o tratamento de câncer no DF há 16 anos, garante que a maioria dos pacientes não tem acesso ao serviço. “A paciente mais recente que acompanho espera desde julho do ano passado. Ela fez uma cirurgia e os médicos recomendaram a radioterapia e a quimioterapia oral. A família recorreu ao Ministério Público, mesmo assim, não adiantou. Esse é um tratamento caro. Normalmente, os pacientes não conseguem pagar e ficam sem saída”, conta Maria.
A Secretaria de Saúde informou, em nota, que “trabalha no abastecimento de toda a rede pública”. “Hoje, são 62 zerados (62 medicamentos faltando). Todos estão com processo de compra em andamento”, detalha o documento, sem dar prazo para as prateleiras estarem abastecidas. Segundo o Executivo local, há um projeto para a construção do Hospital do Câncer de Brasília. Com o empreendimento, a pasta estima atender cerca de 6 mil novos casos por ano. Também não há previsão para a unidade médica sair do papel. Em nota, o Hospital Universitário de Brasília (HUB) informou que, em 2015, 825 pacientes tiveram atendimento integral, com a disponibilização de 4.619 sessões de quimioterapia. “Quatro médicos atuam no setor, que funciona com capacidade máxima. As vagas são liberadas sempre que um paciente conclui o tratamento.”
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