Promotores se negam investigar prédio abandonado do MPRN

Depois de demolido, prédio é ‘passado’ adiante em suspeições
Portal no Ar – O velho adágio segundo o qual se oferece aos amigos os favores da lei e aos inimigos os seus rigores pode resumir o espírito do Inquérito 048/2014. Aberta pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em 17 de março de 2014, a investigação que apura possível dano ao erário pela compra e abandono de um imóvel no valor de R$ 850 mil praticamente não avançou porque 32 dos 81 promotores que atuam em Natal, e pelo quais passou o caso, se negaram a investigar os fatos.
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Quem permaneceu por mais tempo com o inquérito foi o promotor Emanuel Dhayan. Antes dele, Giovanni Rosado, Keiviany Batista e Paulo Batista Lopes Neto já tinham se declarado suspeitos para conduzir a investigação. Dhayan tocou o barco até 16 de julho, quando juntou uma declaração do próprio punho aos autos do inquérito, escrevendo que “em virtude de fatos supervenientes afirmo suspeição para atuar neste feito”. Daí em diante, os suspeitos não pararam de aparecer. Em resumo, alegam que têm relação de amizade com pelo menos um dos três procuradores-gerais que conduziram o Ministério Público no período sobre o qual a investigação se debruça (2008-2014), a saber, José Augusto Peres, Manoel Onofre Neto e Rinaldo Reis.
Estranhamente, o único documento que foi concluído sobre o abandono do prédio, feito pelo Tribunal de Contas do Estado, isenta os três procuradores da responsabilidade de eventual dano ao patrimônio público. Nenhum promotor que decidiu revelar os motivos de sua suspeição o fez por ter relação com Branca Medeiros. Segundo o TCE, se houve um responsável pelo dano ao erário foi ela, que, à época dos fatos, atuando como procuradora-geral adjunta, em 2008, ordenou a despesa que resultou na compra do prédio.
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