14/11/2015
Por Danilo Evaristo em Notas

Brasil: Mais de 2 milhões de pessoas saíram da miséria

O Globo – Depois de ter subido em 2013, a pobreza extrema no Brasil caiu fortemente no ano seguinte, a ponto de o ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos Marcelo Neri já considerar a parcela de miseráveis equivalente a zero. Pelos cálculos do pesquisador do Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade (Iets), Samuel Franco, deixaram a miséria 2,4 milhões de pessoas. A parcela da população nessa situação precária caiu de 6,2% para 4,8%. Franco considera miserável pessoas que vivem em lares com renda per capita de até R4 130,84. Já Neri, usando US$ 1,25 por dia, viu a parcela de extremamente pobres baixar de 3,47% para 2,34%:

— O resultado é consistente com o que vinha acontecendo até 2012. Em 2013, houve resultado atípico. É um fenômeno fantástico no Brasil. É uma tendência de quase todos os estados. Os efeitos da política do benefício de superação da pobreza, lançado em 2012, e que só apareceram agora. Acredito que iniciativas fortes de melhoria do cadastro único (que reúne a população elegível ao Bolsa Família) e a busca ativa pelos pobres também ajudaram — afirma Franco.

O benefício de superação da pobreza foi criado pelo governo em 2012 e prevê uma complementação extra aos inscritos na Bolsa Família com renda muito baixa. O programa prevê um benefício variável para as famílias, de forma que a renda per capita no domicílio alcance R$ 77. São exigidas, para isso, as mesmas contrapartidas previstas no Bolsa Família, de frequência escolar e vacinação em dia.

Cálculo feito por Marcelo Neri aponta que o número de pobres no Brasil caiu de 20,4 milhões em 2013 (10,13% da população) para 17 milhões em 2014 (8,38%), um recuo de 3,4 milhões. A conta leva em conta renda mensal de R$ 184 por pessoa. Já a extrema pobreza passou de 7 milhões de pessoas (3,47% do total) em 2013 para 4,7 milhões (2,34%) em 2014. Neste caso, é considerada uma renda de US$ 1,25 por dia, ou cerca de R$ 75.

— O Banco Mundial considera que uma parcela de 3% da população em pobreza extrema é equivalente à pobreza zero. Acho que atingimos, pela visão do Banco Mundial, um nível de pobreza zero, já que sempre terão pessoas entrando e saindo da pobreza — diz o ex-ministro. Diante dessa conquista, Marcelo Neri defende a mudança de foco nas políticas de redução de pobreza. Em vez de dar prioridade à parcela da pobreza extrema, ele acredita que é preciso “olhar para os pobres de maneira mais abrangente”.

— Não dá para olhar só para os 2%. Em vez de cuidar apenas da pobreza extrema, é preciso ampliar o foco do debate e olhar para os 40% mais pobres da população — diz Neri. Pelos cálculos de Franco, do Iets, a redução da pobreza (com renda domiciliar per capita de até R$ 261,67) também foi intensa. Saíram da pobreza 2,69 milhões. A parcela de pobres caiu de 17,6% para 15,8%, num movimento que se repete desde 2004 (quando o IBGE incluiu o Norte rural nas pesquisas domiciliares). Naquele ano, a pobreza afligia 37,5% da população.


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