28/05/2015
Por Danilo Evaristo em
SaúdeCientistas testam vacina para combater a hipertensão

Cientistas testam vacina para combater hipertensão – Foto: Ana Branco
O Globo – Ter a obrigação de tomar um remédio todos os dias e ainda por cima para uma doença que não causa nenhum sintoma aparente é, no mínimo, irritante. E se fosse possível controlar esta doença com uma droga de longa duração e, além do alívio, diminuir o gasto financeiro e aumentar a eficácia do tratamento? Um estudo publicado na revista “Hypertension”, da Associação Americana do Coração, relatou o projeto de uma vacina genética de combate à hipertensão, doença que mata mais de 10 milhões de pessoas por ano no mundo e acomete 25% da população brasileira.
— É o sonho de qualquer cardiologista — brinca Luiz Aparecido Bortolotto, diretor da Unidade Clínica de Hipertensão do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Incor). O cardiologista lembra que a hipertensão é crônica e pode levar ao enfarto, ao AVC e a outras graves doenças. — Brinco aqui no ambulatório que, se causasse dor no pé, as pessoas não esqueceriam de tomar remédio. Uma vacina de longa duração seria excelente porque evitaria a medicação diária, seu esquecimento, e reduziria o gasto do paciente, que muitas vezes toma mais de um remédio. Bortolotto conta que, no ambulatório da USP, dos cerca de 7 mil pacientes, todos graves, apenas 50% tem a pressão sob controle.
Pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, testaram em ratos uma vacina que tem como alvo o hormônio angiotensina II, que aumenta a pressão arterial, contraindo os vasos sanguíneos. A vacina induz à formação de anticorpos que inibem a angiotensina II, princípio semelhante ao dos remédios convencionais. O medicamento é feito com uma tecnologia chamada “DNA recombinante”. Parte da biotecnologia, ela envolve a transferência de um gene de um organismo para outro e a produção, em larga escala, de proteínas específicas. Segundo Hironori Nakagami, coautor do estudo e professor em Osaka, além de reduzir a pressão arterial das cobaias por até seis meses, a vacina também reduziu danos nos tecidos do coração e dos vasos sanguíneos. Afirmou ainda que não houve sinais de danos a outros órgãos, como rim e fígado.
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