14/04/2015
Por Danilo Evaristo em Notas

Verdade: Impor limites é o que cria filhos mais saudáveis

ccho

Foto: Latinstock / André Babiak

Crianças francesas não fazem manha, diz o livro da jornalista americana Pamela Druckerman. Mas as brasileiras também não deveriam fazer, bastando para isso que os pais soubessem impor limites desde a infância. Para discutir as consequências da educação contemporânea, a próxima edição dos Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, com o tema “Como estabelecer limites para ter filhos saudáveis”, abre o debate ao psiquiatra Fábio Barbirato, chefe do serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência da Santa Casa de Misericórdia do Rio; e à educadora Tania Zagury, autora dos livros “Limites sem trauma” e “Educar sem culpa – A gênese da ética”, entre outros. O evento tem mediação da jornalista do GLOBO Viviane Nogueira, editora assistente de Sociedade, e coordenação do médico Cláudio Domênico, curador do evento.

– As crianças reclamam, mas gostam de limites preestabelecidos. Essa educação sem limites cria sociopatas e jovens com problemas de relacionamento social – diz Domênico, que acredita que hoje muitos pais delegam a criação dos filhos à escola. – O que a gente quer mostrar é a importância da família na construção da saúde emocional das crianças – explica.

SEM REGRAS, SEM AUTONOMIA

Dizer não aos filhos é difícil, mas dizer sim o tempo todo pode transformar uma criança mimada em um adulto sem autonomia, eternamente dependente dos pais. Essa teoria será demonstrada cientificamente pelo psiquiatra Fábio Barbirato, que dá como exemplo uma escola da Zona Sul do Rio, que manda e-mail para os pais perguntando se os alunos do 9° ano (adolescentes de, em média, 14 anos) fizeram os trabalhos de casa.

– Daqui a três anos essas pessoas estarão indo para a universidade, que autonomia têm? Os pais têm obrigação de dar limites, não podem ser reféns dos filhos, até porque as crianças não vão descobrir isso sozinhas e, lá na frente, tomarão uma pancada da vida – defende o psiquiatra.

Para ele, as conquistas de todos, principalmente das crianças, devem vir através do mérito. Não sendo assim, as atitudes só vão estimular o famoso “jeitinho”. Outra crítica é em relação aos pais “amiguinhos” dos filhos: – Mãe que se veste com a saia igual à da filha não tem identidade, sem isso não tem respeito.

A educadora Tania Zagury atribui a falta de limites a uma interpretação errada, de 40 anos atrás, quando se achou que a imposição de regras acarretava problemas emocionais – período que coincide justamente com a infância de quem é pai hoje.

– A função principal dos pais é formar a moral e a ética dos filhos, mas hoje a maior preocupação dos pais parece ser fazer a felicidade das crianças – observa. – Só que, se os pais fizerem tudo o que os filhos querem, a criança cresce com uma visão distorcida do mundo, não fortalece a capacidade de ouvir os “nãos” da vida. As informações são do jornal O Globo.


0 Comentários

Deixe o seu comentário!

Busca no Blog

Facebook


Twitter


Parceiros