Tamanho dos protestos de ontem surpreendeu o governo

Manifestação na Avenida Paulista, SP – Fernando Donasci / Agência O Globo
O Globo – As manifestações que ocorreram neste domingo em todo o país e levaram dois milhões às ruas preocupam o governo. A presidente Dilma Rousseff acompanhou os protestos de dentro do Palácio da Alvorada e, segundo interlocutores do governo, a avaliação é que eles foram “mais fortes” e “mais representativas” do que se previa. Ministros do núcleo político foram chamados para fazer uma análise das manifestações. Estiveram com Dilma os ministros José Eduardo Cardozo (Justiça), Aloizio Mercadante (Casa Civil), Thomas Traumann (Comunicação Social), Pepe Vargas (Relações Institucionais), Jaques Wagner (Defesa) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral).
Ministros avaliaram propostas concretas para serem anunciadas. Antes do aúncio de Rossetto e Cardozo, houve uma divisão quanto ao pacote anticorrupção, discutido no começo da tarde pela presidente com o ministro José Eduardo Cardozo. Para integrantes do governo, neste momento, é necessário ações vigorosas, não apenas propostas de combate ao caixa 2, por exemplo, como prevê o pacote. Fora que Dilma, ao se pronunciar pós-manifestações de junho de 2013, falou no envio do pacote anticorrupção ao Congresso. Passaram-se quase dois anos e ele não saiu da gaveta.
Outro ponto em análise é uma ação que não dependa do Legislativo, o que pareceria que o governo está transferindo as suas responsabilidades para o Congresso. Um pacote de redução de impostos e desburocratização voltado à micro-empresa também está sendo estudado, como forma de o governo garantir a manutenção do acesso ao emprego.
Desde o começo da semana, a presidente deu declarações favoráveis às manifestações, desde que pacíficas. E esta paz pedida pelo governo, agora, se tornou um problema, porque levou para os protestos famílias de classe média, diferentemente dos atos de 2013, quando o vandalismo desencorajou a participação de muitas pessoas. Segundo fontes do governo, é preciso mudar a agenda do ajuste fiscal, que prevê só medidas que penalizam a população, acenando com ações positivas.
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