Construção civil está demitindo mais do que contratando
O endereço é do sindicato de trabalhadores da construção civil de Brasília, mas nos últimos meses foi confundido com templo religioso por quem passava por ali, diante das longas filas para homologação de demissões. A movimentação atípica no sindicado reflete a crise no setor. As estatísticas do emprego mostram que em janeiro (último dado disponível), pela primeira vez desde 2003, mais vagas foram fechadas do que abertas no segmento da construção. Foram menos 9.729 postos de trabalho com carteira assinada no setor e isso depois de, em 2014, 110 mil vagas terem sido eliminadas.
O cenário vem se agravando principalmente nas obras públicas federais, fortemente afetadas pelos cortes no orçamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e devido à crise financeira nas construtoras, algumas atingidas em cheio pela Operação Lava-Jato, que apura desvios de recursos nos contratos da Petrobras.
EMPRESAS RECLAMAM DE ATRASO NOS PAGAMENTOS
Com os atrasos e as incertezas futuras em relação aos pagamentos federais pelas obras públicas, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) prevê que, até o fim do ano, a força de trabalho pode encolher até 15%. No fim de 2014, segundo dados do Ministério do Trabalho, havia 3 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor.
A Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) estima que o ritmo dos canteiros de obras do Departamento Nacional de Infraestrutura Rodoviária (Dnit) caiu a 40% frente à média de 2014, com muitas empresas sem receber recursos que deveriam ter sido pagos desde novembro.
O setor da construção — que já vivia uma fase turbulenta com Lava-Jato, restrição de crédito e alta dos juros — viu no decreto 8.412, que contingenciou recursos do Orçamento federal e do PAC, uma espada sobre a cabeça. Pelo decreto, haverá um recuo de gastos do PAC 2 a quase metade do que foi contratado pelo governo federal no ano passado, segundo a CBIC.
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