26/01/2015
Por Danilo Evaristo em Brasil

Doleiro Alberto Youssef pode recuperar R$ 20 milhões

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Alberto Youssef Foto: Agência Senado/18-10-2005

O Globo – Além de garantir pena máxima de cinco anos de prisão – enquanto poderia pegar até 240 anos –, o doleiro Alberto Youssef terá uma vantagem financeira ao fim da operação Lava Jato. No acordo de delação premiada, a sua defesa conseguiu a inclusão de uma cláusula de performance – ou taxa de sucesso – na qual ele receberá 2% de todo o dinheiro que ajudar a recuperar contando o que sabe. Caso a Justiça consiga, com apoio de Youssef, colocar as mãos em uma fortuna de R$ 1 bilhão que circularia em paraísos fiscais, o doleiro embolsaria R$ 20 milhões no final da ação.

O valor é a metade de todos os recursos confiscados pela Justiça em seu nome. Além de imóveis e carros de luxo, a Polícia Federal ainda apreendeu R$ 1,8 milhão em espécie no escritório do doleiro em São Paulo. O acordo de delação premiada foi homologado na quarta-feira pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal. A cláusula de performance de Youssef é de 1 por 50. Ou seja, ele receberá R$ 1 milhão para cada R$ 50 milhões recuperados.

A taxa de sucesso é comum nas operações do mercado financeiro. Em dezembro do ano passado, ao denunciar 36 suspeitos no esquema, o Ministério Público Federal pediu o ressarcimento de R$ 1 bilhão aos cofres públicos, valor que eles querem a ajuda de Youssef para recuperar. “Não se trata de privilégio. Pelo contrário, tudo foi negociado estritamente dentro da lei. A delação é premiada, portanto, pressupõe vantagens ao meu cliente”, disse Antonio Figueiredo Basto, que defende Youssef.

Ainda segundo o acordo, voltarão para as mãos da família três imóveis e dois automóveis de luxo blindados. Entre os bens apreendidos de Youssef estão 74 apartamentos em um hotel em Aparecida, no interior de São Paulo, seis apartamentos em um hotel de luxo em Londrina (PR), 35% das ações de um hotel em Jaú, também em São Paulo, e 50% de um terreno de 4.800 metros quadrados, avaliado em R$ 5,3 milhões. Figueiredo Basto voltou a afirmar que seu cliente é “uma peça da engrenagem” do esquema de corrupção na Petrobras. Segundo ele, Youssef se colocou à disposição da Justiça também para chegar a pessoas envolvidas nas fraudes da estatal.


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