22/01/2015
Por Danilo Evaristo em Rio Grande do Norte, Segurança

1 homicídio é registrado a cada 5 horas no estado do RN

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Foto:Junior Santos

Tribuna do Norte – As estatísticas oficiais da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed) apontam para a ocorrência de um homicídio a cada cinco horas no Rio Grande do Norte este ano. Entre os dias 1º e 21 deste mês já ocorreram 106 homicídios em Natal e no interior (até 18h), cinco mortes a mais em comparação ao mesmo período de janeiro de 2014, que totalizou 101, segundo informou o coordenador de Informática e Estatística da Sesed, Ivenio Hermes Júnior.

Para Ivenio Hermes Júnior, o número de homicídios apurado  até ontem “é preocupante”, pois se continuar crescendo nesse ritmo o mês de janeiro pode terminar com 70 mortes a mais em relação aos assassinatos ocorridos no mesmo período do ano passado. Em 2014, a média diária de homicídios foi de 4,25 casos, enquanto este ano já está sendo de 5,04. “A gente tem de encontrar uma maneira de frear isso”, diz  Ivênio, que atuava como pesquisador da criminalidade no Conselho Estadual dos Direitos Humanos e da Cidadania  (CEDHC).

Com apenas duas semanas de trabalho na Sesed, Ivênio Hermes disse que, inicialmente, enfrenta dificuldades relacionadas a recursos humanos na Coine, “o que já está sendo providenciado”, bem como a falta de um banco de dados unificado. “Não temos computadores interligados às delegacias de Policia Civil, Ciosp e Itep”, exemplificou ele, que falou sobre a intenção de unificar os bancos de dados dos órgãos do aparelho de segurança público do Estado, num prazo de seis meses. “É um trabalho demorado”, disse.

O delegado de Homicídios, Frank Albuquerque, que comanda uma equipe de mais oito delegados e 42 policiais, já havia dito na edição de domingo (18) da TRIBUNA DO NORTE, que o policiamento ostensivo nas ruas não inibe ou contribui para a queda do número de homicídios “porque não se pode ter um policial de porta em porta das casas”. No entanto, ele defende que o aumento das penalidades para os acusados de homicídios e outros crimes. Esse seria, segundo ele, a saída para diminuição da violência e da criminalidade no Rio Grande do Norte e no país, onde um acusado de assassinato cumpre em média 14 anos de prisão mas, ao cumprir um sexto da pena, é beneficiado com a progressão de regime para liberdade condicional.

“Um bandido que é preso com uma arma, paga fiança e no outro dia está solto”, diz também o delegado Frank Albuquerque, para quem as penalidades hoje, no país, beneficiam mais o criminoso do que propriamente a sociedade. “Recentemente mesmo”, contou ele,  “das três pessoas que foram flagradas com cinco mil comprimidos de Ecstasy (uma droga sintética) na praia de Pipa, em Tibau do Sul, dois já foram soltos”.

Na opinião do delegado, caso as punições no Brasil fossem mais severas, a população carcerária iria crescer “mas ia diminuir a criminalidade”. Isso porque muitos dos crimes são cometidos por reincidentes “que entram e saem dos presídios”. Para Albuquerque, se a “lei seca” foi criada para coibir os acidentes e diminuir o número de mortes no trânsito”, o aumento da pena no caso de homicidios, por exemplo, também iria contribuir para a diminuição do número de assassinatos.


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