24/05/2017
Por Danilo Evaristo em Notas

Abastecimento de Macau com águas do oceano pode acontecer a partir de fevereiro

Foto: Canindé Soares

Segundo o engenheiro mecânico e coordenador do projeto na Semarh, Franklin de Azevedo, na fase inicial que está sendo estudada atualmente, as águas resultantes do processo de dessalinização devem abastecer até 30% de Macau, município do Polo Costa Branca escolhido para abrigar o projeto piloto.

Franklin explica que a grande vantagem da dessalinização é que a porção da cidade abastecida com essas águas terá, a partir do início das atividades, segurança hídrica por tempo indeterminado. “São águas provenientes do mar, que é uma fonte inesgotável. Isso significa que, se todas as outras fontes de abastecimento falharem, a dessalinização ficará contínua. Então, é garantia de segurança hídrica para a população abastecida”, comenta o técnico.

Atualmente, o município de Macau é abastecido com águas do rio Piranhas-Açu, do qual a captação acontece em Pendências. Com a seca que já dura cinco anos, entretanto, a retirada de água tem sido cada vez mais difícil, o que motivou os técnicos a estudarem alternativas. Foi aí que surgiu a ideia de instalar a usina de dessalinização.

O coordenador do projeto, Franklin de Azevedo, pontua que o preço do abastecimento com águas dessalinizadas é superior ao do abastecimento por métodos tradicionais. Enquanto o procedimento comum acarreta em custos de, aproximadamente, R$ 3 por metro cúbico de água; na dessalinização, o preço pode chegar a R$ 5 pela mesma quantidade do produto.

Pelo projeto da Semarh, porém, além da garantia de segurança hídrica – imprescindível em períodos de seca, outra variável torna a captação mais viável: o investimento privado. Isso porque, segundo Franklin, a distribuição da água se dará por meio do sistema de licitação de demanda.

O técnico esclarece que, nesta modalidade, a responsabilidade pela implantação da usina ficará a cargo da empresa que oferece o menor custo por metro cúbico de água. Dessa forma, a Caern (ou o próprio município onde a usina estiver instalada) compra a água e repassa para o consumidor. “Iremos estabelecer critérios técnicos que a empresa vencedora deverá atender. Mas ganhará aquela que fornecer a água pelo menor valor”, frisa.

Franklin ressalta ainda que as tecnologias em torno do processo de dessalinização têm avançado nos últimos anos e que a água que sai do processo é “extremamente boa”. “É uma água que sai pronta para o consumo humano. E devido ao avanço da tecnologia, os custos estão diminuindo. Antes, o maior gasto era com energia, mas isso está sendo reduzido com melhor aproveitamento. O valor por metro cúbico tem caído”, aponta.

A Semarh espera que o processo que envolve licitação e instalação da usina de dessalinização seja o mais breve possível e que a população possa consumir as águas do novo sistema já a partir de fevereiro de 2018. “Estamos na fase de estudo conceitual. O Governo do Estado se interessa pela modalidade. E será importante pois o Estado só terá gastos com projetos e estudos de viabilidade, pois todo o restante do investimento será privado”, pontua.

Com relação a possíveis concorrentes no processo, Franklin afirma que há empresas potiguares capacitadas para instalar a usina e operar o sistema. No entanto, boa parte da tecnologia utilizada no processo ainda é importada. “Inclusive, já no projeto, estamos contando com a participação de uma empresa espanhola que tem braço de atividades no Rio Grande do Norte, com o fornecimento de planilhas de custos. Em partes, é uma empresa potiguar”, registra.

INCREMENTO NA CONTA E EXPANSÃO

A instalação da usina de dessalinização ainda está em fase de estudos, mas a Semarh calcula que não haverá grandes impactos no valor pago pelo consumidor na conta de água. De acordo com o técnico Franklin de Azevedo, a estimativa é que haja um incremento de cerca de 10% inicialmente. Aumento que representará, reforça o coordenador do projeto, na garantia de abastecimento por tempo indeterminado, independentemente da estiagem.

Sobre a possibilidade de alcançar outras regiões do estado, o técnico salienta que o projeto em Macau será a primeira experiência. Só depois disso é que será estudada a possibilidade de expansão. “Estamos iniciando o processo. Vamos observar as experiências. Mas um outro município que pode receber é Galinhos”, coloca.

Um fator que pesa na decisão é o local de despejo dos resíduos da dessalinização. O técnico explica que duas águas saem do processo. Uma que passa por um pré-tratamento, com retirada de metais e materiais orgânicos, e outra com a retirada dos sais – esta recomendada para o consumo humano.

A primeira água, por sua vez, pode ser encaminhada para empresas salineiras, que já teriam boa parte do processo de extração do sal antecipada – daí a escolha por Macau para o projeto piloto; o município é polo salineiro no estado. E a outra opção, por fim, é despejar em áreas utilizadas para carcinicultura.

Via Agora RN


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